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Nascido em Erechim-RS em 1964, no ano seguinte a familia veio morar em Porto Alegre capital do Estado do Rio Grande do Sul- Brasil.
Formado em Química Industrial, Especialista em Engenharia da Qualidade e Mestre em Química, foi executivo de diversas organizações e consultor em gestão empresarial, atuando em diversas entidades públicas e privadas nas áreas de serviços, indústrias, agronegócios, ONGs e outras.
Tem na música e na leitura seus principais lazeres.
Busca constamente observar a vida, aprender e fazer diferença no mundo, não apenas como um mero participante de um momento histórico da humanidade.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Cultura, Arte e Ciência

O artigo de número vinte e sete da DUDH é o ideal do ócio criativo, cujo texto, composto de dois tópicos, se desenrola a seguir:
"1. Toda pessoa tem o direito de participar livremente da vida cultural da comunidade, de fruir as artes e de participar do processo científico e de seus benefícios.
2. Toda pessoa tem direito à proteção dos interesses morais e materiais decorrentes de qualquer produção científica, literária ou artística da qual seja autor."
Basicamente este é o direito de participação do ser humano da produção cultural, da arte e da ciência e para isto não há como negar a necessidade de tempo para o ócio criativo. E, mediante tal produção criativa, deve-se assegurar a proteção moral e material desta produção, ou seja, a propriedade intelectual.
Sobre a necessidade de redução radical de horas de trabalho já fomos suficientemente enfáticos. Tal redução é necessária para permitir ao ser humano exercer a sua humanidade de forma criativa ou simplesmente não fazer nada, dado que é seu direito. 
Mas o maior problema da humanidade atual é que, apesar de todo avanço tecnológico, nada disto se traduziu em modelos de vida que permitam à pessoa usufruir de tempo para a criação cultural, artística e/ou científica. As pessoas que hoje têm condições de exercer o ócio criativo são aquelas que ao longo de sua vida conseguiram por sorte ou competência um sistema de negócio com fluxo de caixa positivo de tal modo que possam ter um tempo livre. Estas pessoas chamamos de "ricos". Uma pessoa que tenha dinheiro mediante fluxo de caixa positivo, mas que não tenha tempo livre ainda não é rico.
É preciso criarmos uma estrutura social e econômica totalmente nova a fim de democratizarmos o tempo livre. Desta forma democratizaríamos, no mínimo, a possibilidade de uma revolução criativa no mundo. Percebe-se logicamente a necessidade da drástica redução da carga horária de trabalho (considerando que trabalho é "tudo que faz suar e que não é esporte" na concepção de Domenico de Masi).
A partir disto, a proteção intelectual é uma forma de assegurar o benefício da criatividade para o ente criativo. O Brasil é, em si, muito carente e fraco na produção intelectual, principalmente científica, apesar de ter uma diversidade cultural e artística imensa com uma produção intensa. Mas nossos principais cientistas e artistas acabam tendo maior benefício de sua produção a partir de outros países que respeitam a propriedade intelectual do que no Brasil. É lamentável. 
O pior é a precariedade da produção científica, numero de patentes e os negócios advindos dessas. Há inúmero dados sobre o registros de patentes no país. Via de regra as patentes registradas no país por não residentes é maior do que as registradas pelos brasileiros. Na comparação com os países em desenvolvimento enquanto a China registra milhares de patentes por ano o Brasil registra algumas centenas tendo normalmente o pior desempenho entre o grupo do BRIC. Mais uma comparação: o Brasil inteiro em 2008 registrou 384 patentes, enquanto somente a empresa Apple lançou mais de 200 patentes em 2007 para a tecnologia do iphone. Precisa uma comparação mais triste? Nosso país inteiro tem uma produção equivalente (ou pouco maior) a de uma única empresa para um único produto.
Bem, talvez o número de patentes, por si, não represente a qualidade do que foi patenteado. Então quando analisamos o resultado financeiro em planos de negócio, crescimento da economia pela inovação, número de empregos gerados e impostos recolhidos em função de tais patentes chegamos a conclusão que somos imensamente incompetentes e é preciso recolher a vontade de chorar e olhar para o futuro buscando alguma solução.
A solução é o tempo livre para a felicidade das pessoas no exercício do ócio criativo junto com um quarto poder que assegure os benefícios da produção criativa para seu criador e sua família. Simples assim, mas pleno de bom senso.

2 comentários:

  1. John,
    Sou seguidor do blog do Chassot e, através dele, cheguei ao teu excelente espaço. Fico cada vez mais feliz em encontrar vida inteligente na blogsfera. Gostei desse texto e tenho que confessar com certo pudor que posso ser considerado "rico". Aposentei-me há dois anos e agora disponho de tempo para exercer ócio criativo, já publiquei dois livros nesses dpois anos e mantenho um blog com minha opinião sobre os mais diversos assuntos. Abraços e vou te seguir, JAIR.

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  2. Perfeito Jair e muito obrigado. Tenho a certeza que podemos agir de modo tranformador, sempre com bom senso, paz e alegria. Aproveite bem a oportunidade de liberdade que construiste para continuar a ampliar a produção da cultura. Parabéns e espero poder apreciar teus livros também. Abraços, John.

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